Projeto Brigada Antidengue será lançado nesta segunda no 3º Salão De Leitura de Niterói Imprimir

 

mosquitaoParceria das Secretarias de Saúde e Educação, pioneira no Brasil, visa formar alunos brigadistas contra o Aedes aegypti


A dengue é um dos maiores problemas de saúde da atualidade e não apenas do setor Saúde, mas de toda a sociedade. Para reverter este quadro, os sanitaristas pretendem intensificar a mobilização da população, em especial das crianças em idade escolar, que se tornarão multiplicadores das informações dentro de casa.  Dentro deste espírito será lançada oficialmente a Brigada Antidengue, nesta segunda-feira, dia 25, às 9h, durante a realização do 3º Salão de Leitura de Niterói, no Teatro Popular (Av. João Alberto Coelho Neto, s/nº, no Caminho Niemeyer, Centro).

 


As secretárias municipais de Saúde, Gisela Motta de Miranda; e de Educação, Maria Inês Azevedo de Oliveira, além de profissionais das duas áreas e demais autoridades municipais, participarão do evento. Para chamar a atenção dos alunos para o problema, foi confeccionado pelo artista plástico José Francisco Abreu, a pedido da Fundação Municipal de Saúde, um mosquito gigante (foto), que ficará exposto no evento. Os alunos receberão também folhetos explicativos, jogos da memória e a Carteirinha de Brigadista Mirim.


A capacitação de crianças e de outros multiplicadores é um dos meios disponíveis para tornar este processo realidade afirmou Cláudio Moreira, chefe da Seção de Controle Ambiental, da Fundação Municipal de Saúde (FMS). Numa primeira etapa, acontecem aulas teóricas e práticas. Num segundo encontro, alunos, moradores ou trabalhadores de uma determinada localidade são avaliados e tem as dúvidas esclarecidas. E ainda: a Brigada Antidengue é um Projeto de Educação Ambiental e Mobilização Social, desenvolvido e realizado pela primeira vez em Niterói, município pólo da Região Metropolitana II, com o objetivo de formar equipes de trabalho em condomínios residenciais, empresas e escolas capazes de participar ativamente no controle do mosquito Aedes aegypti.


Formada pelo Poder Público, Clube dos Diretores Lojistas, associação de moradores, clubes de serviço, empresas da construção civil, estaleiros, universidades, escolas públicas e particulares, entre outros parceiros intersetoriais, a Brigada Antidengue, soma esforços e parte para uma verdadeira batalha contra a doença, fornecendo informações básicas sobre meio ambiente e controle do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da doença, não apenas no ambiente de trabalho, mas também no dia-a-dia dos moradores. De acordo com Moreira, o combate à enfermidade não depende apenas dos órgãos de saúde e sim de toda a sociedade. Por isso, a parceria com escolas, públicas e privadas, e as instituições civis é de extrema importância para o alcance e o sucesso das ações.


As equipes se utilizam de uma metodologia, que busca mostrar às comunidades vídeos sobre meio ambiente, noções básicas sobre dengue, com enfoque no vetor, na doença, e na prevenção. Além de aulas técnicas e práticas, também é realizada busca ativa de focos de mosquito Os encontros acontecem em quadras, canteiro de obras ou em auditórios equipados com os mais modernos recursos multimídia. Aliado à estratégia, são distribuídos material de trabalho de campo, como bolsa completa, larvicida, tubitos, etc. Uma visita técnica para acompanhamento da equipe treinada, também é agendada, onde são verificadas as necessidades levantadas pelos participantes e funcionários.


Brigada já treinou funcionários de empresas e condomínios


Mais de 400 funcionários de empresas e condomínios situados em Niterói participaram, em 2011, de palestras e cursos promovidos pela Brigada Antidengue. Este ano, de janeiro até abril, o projeto já capacitou 376 trabalhadores de diferentes órgãos e instituições, dos quais se destacam os Estaleiros Renave e UTC Engenharia, os condomínios Ubá VII, Hill Village, Terra Nova, Vale de Itaipu, Bouganville e São Francisco Hills, bem como a Universidade Federal Fluminense (UFF).


O objetivo do projeto é a capacitação e o treinamento de trabalhadores de instituições públicas e privadas, envolvidos nos processos de higiene e limpeza, bem como de administração e segurança. De acordo com os técnicos, os funcionários foram orientados a ter um olhar crítico em relação ao seu ambiente de trabalho, no sentido de identificar e eliminar possíveis focos.


Para este mês, já estão agendados novos parceiros, entre empresas e condomínios, além da Universidade Federal Fluminense (UFF). Para a presidente da FMS, secretária Gisela Motta de Miranda, a parceria com instituições civis são de extrema importância para o alcance do nosso objetivo, que é controlar a proliferação do inseto.


Segundo o chefe do Devic, Zamir Martins, a participação da população é considerada uma das condições elementares e fundamentais para um controle eficaz da densidade vetorial e consequentemente da dengue. Até hoje o único método estabelecido para impedir a expansão desta doença é controlando o vetor (mosquito), tendo em vista que ainda não existe uma vacina para evitar a doença.


Desafio para os gestores das três esferas de governo: Federal, estadual e municipal. Em Niterói, o Departamento de Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses (Devic) é a instituição pública responsável por estabelecer o controle da dengue, e conta com 172 agentes setorizados com esta finalidade. Como principal ação para o combate à dengue, muitos moradores de Niterói, principalmente os que habitam grandes condomínios, têm contratado empresas desinsetizadoras que utilizam basicamente o método de controle químico da pulverização espacial de inseticidas. Em 2011, nos 48 bairros de Niterói, 750.140 casas foram visitadas e 552.661 tratadas. Em 2012, de janeiro até o último dia 14 de maio, os guardas de endemias estiveram em 147.834 casas e 110.944 receberam tratamento.


Já receberam certificados de participação na Brigada Antidengue as seguintes empresas, condomínios e outras entidades civis de Niterói: Estaleiro Aliança, UTC Engenharia, Viação Expresso Barreto, Labor-Med, as construtoras Oderbrech e Concrejato, os condomínios Grotão, Lopes da Cunha, Ubá VII, Hill Village, Ubá Terra Nova e, ainda, a Biblioteca Cora Coralina, a Faetec e Policlínica Municipal de Especialidades Sylvio Picanço. A NitPort Serviços Portuários AS (Porto de Niterói) é outra grande parceira da FMS, que, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), firmou convênio com a Prefeitura de Niterói, para capacitação de seus funcionários.


Os números


De acordo com relatório da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covig), foram notificados de janeiro até o último dia 19 de junho, 4.569 casos suspeitos de dengue em moradores de Niterói. Dos 539 casos confirmados, 88 ocorreram no Fonseca. Um óbito foi registrado em março. Já as policlínicas regionais atenderam 41,06% dos casos. No município, segundo dados estatísticos, a enfermidade vem atacando pacientes na faixa etária compreendida entre 20 a 29 anos.


Ainda de acordo com a Covig, o vírus DENV-4 foi detectado, a partir de março de 2011, em outros três bairros de Niterói - Cafubá, Engenho do Mato e São Domingos - fato que levou a coordenação a constatar que em um período de 14 meses o vírus já tem circulação documentada em mais de 15 bairros da cidade, atingindo todas as regionais de saúde. Há registro também de um caso notificado de paciente infectado pelo vírus DENV-3, na Ilha da Conceição. A secretária de Saúde, Gisela Motta de Miranda, reafirmou a decisão de que seja mantida a prioridade ao atendimento de casos suspeitos de dengue na rede de saúde de Niterói, mesmo no inverno, e que as pessoas procurem a unidade mais próxima de casa ao surgirem os primeiros sintomas, evitando tratamentos caseiros e a automedicação.